'Era Bolsonaro': cientista político analisa futuro de PT e PSDB

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Congresso Nacional Vota Nova Meta FiscalOs dois partidos dominantes nas eleições presidenciais em mais de duas décadas estão fora do Palácio do Planalto. Com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no cargo, qual o futuro de PT e PSDB? A Sputnik Brasil entrevistou o cientista político da PUC-Rio Ricardo Ismael para fazer projeções sobre o que acontecerá em Brasília.

Com o ex-presidente Lula atrás das grades, o PT terá que buscar um novo discurso para seguir relevante. Segundo Ismael, a agremiação falhou em oferecer respostas a temas caros à sociedade, como a corrupção e a Operação Lava Jato. Ainda assim, deverá ser o principal partido de oposição a Bolsonaro, diz o professor da PUC-Rio.

"A renovação na esquerda está travada por conta da estratégia do presidente Lula de praticamente sobrepor sua estratégia de defesa ao próprio destino do PT. O PT tem dificuldades em colocar [Fernando] Haddad como principal liderança. Percebendo isso, Ciro Gomes tem tentando ocupar esse espaço."
Ainda na esquerda, Ismael acredita que o campo busca se reinventar já com as vistas nas eleições municipais de 2020: "É por isso que a esquerda, o PC do B e o PDT e o PSB, estão procurando se desvincular do antipetismo e encontrar um discurso novo".
Já o PSDB "enfrenta uma crise muito séria", analisa. "Embora o Doria tenha ganho a eleição para governador em São Paulo, não se pode dizer que ele tem o apreço dos caciques do partido como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin."
"Está havendo uma renovação, também com o governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que provavelmente vai dar uma nova cara ao PSDB, mas essa nova cara é muito diferente da geração fundadora do partido. O PSDB é uma interrogação e sofreu uma diminuição na bancada muito grande, assim como o MDB."
Para o professor da PUC-Rio, o centro político foi derrotado no pleito de 2018, mas seguirá importante: "O centro político foi derrotado, mas ele continua sob disputa. É necessário que se imagine alguma força política que vai ocupar esse espaço".