A mídia ocidental e altos funcionários acusam todos os dias o canal de televisão RT de mentir, mas não conseguem citar nenhuns exemplos concretos e provas disso porque eles não existem, disse a editora-chefe do RT e da Sputnik, Margarita Simonyan, em entrevista ao programa "Pozdnyakov" na NTV.

O programa foi exibido na NTV às 00:00 na noite de segunda (20/02) para terça-feira (21/02).
À questão do apresentador sobre quantas vezes o RT foi submetido ou é submetido à pressão do Ocidente, Simonyan disse: "Todos os dias".
"Não há, n
De acordo com Simonyan, na França, onde está agora decorrendo a campanha eleitoral para as presidenciais, todos os dias a sede de campanha de um dos candidatos diz que a Sputnik e o RT mentem.
"Agora sobre isso já fala Macron [candidato presidencial francês Emmanuel], mas isso não é verdade. Simplesmente não é verdade. Por outras palavras, eles indicam fatos que não existem", afirmou Simonyan. Ela ressaltou que, acusando a Sputnik e o RT de mentirem, os políticos ocidentais não dizem eles próprios a verdade e constroem sobre isso a sua campanha eleitoral e em geral toda a sua plataforma política.
ão há nenhum dia em que não saia algo em qualquer edição central europeia ou americana ou alguém dos altos funcionários dos países ocidentais não diga qualquer porcaria", observou ela.






Margarita Simonyan, editora-chefe do RT




A editora-chefe do canal RT e da agência Sputnik, Margarita Simonyan, comentou o relatório do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Comuns sobre o funcionamento da mídia no território da Grã-Bretanha.

Segundo ela, os parlamentares "não conseguiram inventar nada por meio do qual fosse possível fechar-nos".

Anteriormente, o Comitê publicou o relatório intitulado "As relações do Reino Unido com a Rússia". Em particular, o documento exprime preocupação com "o aumento das notícias falsificadas" na Grã-Bretanha, tendo o RT e a Sputnik sido acusados de falsificações. Entretanto, o relatório não contém nenhum exemplo de tais matérias.


"Até depois de examinar o RT e a Sputnik ao microscópio e depois de nos convocar, os parlamentares não conseguiram inventar nada por meio do qual fosse possível fechar-nos. Talvez, eles não conseguissem se privar do prazer de ver o RT no refeitório", cita o RT a editora-chefe.
"Ao mesmo tempo, os autores do relatório pedem que nos vigiem de maneira a não publicarmos 'notícias falsas', mas eles mesmos citam a mídia convencional, que apanhámos muitas vezes em falsificações. Mais relatórios como esse e os parlamentares britânicos serão um sinônimo de 'cientistas britânicos'", afirmou Margarita Simonyan.

No final de fevereiro, a edição britânica Sunday Express soube que, no refeitório da Câmara dos Lordes, o canal RT é um dos que os lordes costumam assistir, tal como a BBC e Sky News.

Margarita Simonyan, editora-chefe da Sputnik e canal RT
Área afetada pelo rompimento da barragem no distrito de Bento Rodrigues, zona rural de Mariana, em Minas Gerais.
Fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou dois problemas no Programa Temático 2040 – Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, instituído pelo PPA 2012-2015: falta de objetividade na priorização dos municípios a serem beneficiados com recursos; e número elevado de obras atrasadas, paralisadas ou não iniciadas, mesmo após a assinatura do contrato.  O volume de recursos fiscalizados alcançou cerca de R$ 6 bilhões.
O uso de critérios inadequados na seleção das propostas de prevenção a desastres gera a destinação de verbas para locais menos necessitados e aplicação ineficiente e ineficaz desses recursos, perpetuando a necessidade de ações de combate à calamidade pública.

Os números do relatório de auditoria já comprovam tal consequência. Três milhões de habitantes dos Estados do Ceará, Pará e Santa Catarina moram em áreas de risco. Entretanto, os dois primeiros não foram contemplados pelo programa, e Santa Catarina recebeu apenas R$ 1,5 milhão. Já a Bahia, cuja população em risco é da mesma ordem de grandeza, foi contemplada com mais de R$ 120 milhões.
De acordo com a lista elaborada pelo Ministério das Cidades, 268 municípios são considerados prioritários em relação a desastres. Destes, 170 são tidos como críticos.
O relatório da auditoria foi julgado na quarta-feira (8/2). Foram avaliados 98 contratos de repasses firmados pelo Ministério das Cidades, no âmbito do Programa Temático 2040 – Gestão de Riscos e Resposta a Desastres do Plano Plurianual 2012-2015 (PPA 2012-2015), que busca ampliar o conhecimento público sobre as áreas de risco nos municípios mais críticos.
Obras inacabadas
No segundo achado, baseado em levantamento de campo realizado em obras do Rio de Janeiro, Santa Catariana e Espírito Santo, e em informações gerenciais da Caixa Econômica Federal, descobriu-se uma grande incidência de empreendimentos paralisados, não iniciados ou atrasados, mesmo após a assinatura do contrato de repasse de recursos.
Apenas 18% das 99 obras contratadas no âmbito do Programa 2040 tinham andamento normal, em janeiro de 2016. Todas as demais possuíam algum tipo de pendência e apenas 30% dos contratos de repasse estavam em situação normal. Esse grande número de empreendimentos paralisados ou em atraso torna ineficaz as ações de prevenção e mantem em situação de risco as populações das áreas críticas.
Na prática, as informações apontam “ineficiência dessa parte do programa, que embora tenha grande capacidade de contratar, ora não repassa as verbas, ora as repassa, mas a obra não se inicia. Outras vezes a obra se inicia, mas é interrompida antes do término, ou termina com grandes atrasos.  Menos de 20% das obras contratadas estão na situação de plena normalidade”, destacou o relator do processo, ministro-substituto Augusto Sherman Cavalcanti.
Recomendações do TCU
Diante dos achados, o TCU recomendou ao Ministério das Cidades que defina critérios mais objetivos de classificação de riscos dos municípios listados como prioritários, utilizando como base aspectos de materialidade e potencial prejuízo social, humano, econômico e ambiental.
Tendo em vista que a dificuldade financeira do Governo Federal impactou fortemente o resultado do programa a partir de meados de 2015, com a suspensão do início da execução de novos empreendimentos a partir de 30/06/2015, o tribunal recomendou também que o Ministério das Cidades priorize a destinação de recursos aos projetos de prevenção de desastres naturais com efetiva possibilidade de pleno êxito, aos quais devem ser assegurados, integralmente, os valores necessários.
O que é o programa temático 2040
O Programa Temático 2040 – Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, instituído pelo PPA 2012-2015, busca ampliar o conhecimento público sobre as áreas de maior perigo nos municípios mais críticos, por meio de mapeamento da suscetibilidade geológica a deslizamentos, inundações e enxurradas; mapeamento de riscos; definição de diretrizes de monitoramento da ocupação urbana segura.
Seus objetivos incluem mapeamento geotécnico de áreas de risco, implantação de sistema de alerta, indução da atuação em rede dos órgãos de defesa civil, promoção de ações de pronta resposta do planejamento urbano e ambiental e a implantação de intervenções estruturais emergenciais.
A auditoria do TCU centrou-se no Objetivo 0169: Promover a prevenção de desastres com foco em municípios mais suscetíveis a inundações, enxurradas, deslizamentos e seca, por meio de instrumentos de planejamento urbano e ambiental, monitoramento da ocupação urbana e implantação de intervenções estruturais e emergenciais, a cargo do Ministério das Cidades. Além das obras, são realizadas ações de apoio à execução de planos municipais de redução de riscos e à elaboração de projetos básicos de intervenções de contenção de encostas.
Ainda sob relatoria do ministro Augusto Sherman Cavalcanti, no âmbito do TC 031.563/2016-3, o TCU realiza atualmente auditoria nos controles internos e riscos do Ministério das Cidades. Nesse trabalho estão sendo tratados, entre outros, os riscos relacionados às obras paralisadas, atrasadas e não iniciadas, com as respectivas causas e mecanismos de controle.
O Brasil é um dos países mais afetados pelas catástrofes, principalmente enchentes (65,2%), deslizamentos (11,3%) e secas (8,7%), com seus trágicos impactos humanitários e prejuízos materiais da ordem de bilhões.
Outras ações
Durante a sessão plenária, o presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Raimundo Carreiro, lembrou de outras fiscalizações realizadas pela casa sobre o mesmo tema e afirmou que “o esforço do tribunal tem sido muito grande para ajudar a evitar esse tipo de situação”.
Além das auditorias, o TCU promoveu dois seminários no Rio de Janeiro para conhecer as medidas adotadas para evitar grandes impactos com as catástrofes naturais, que contou com a participação de diversos ministros deste tribunal.
O último seminário aconteceu em junho de 2016 e teve o objetivo de promover exposições e debates sobre a atuação articulada dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, em especial quanto ao aperfeiçoamento do referido sistema, à implementação de medidas preventivas, preparatórias e mitigadoras de impactos causados por desastres naturais, e aos resultados alcançados e desafios a enfrentar. Os painéis tiveram os mesmos temas do Seminário 2014.
Leia a íntegra da decisão: 182/2017 – TCU – Plenário
 
Do Site Geodireito
Os soldados que tomaram parte da Revolução de Fevereiro de 1917 em Petrogrado (foto de arquivo)

No dia 23 de fevereiro a Rússia assinala o 100º aniversário da Revolução de Fevereiro. Infelizmente, nem todos têm plena consciência histórica daquilo que se passou na época, das causas do acontecido e como a Revolução de Fevereiro foi diferente da de Outubro. A Sputnik explica e lhes propõe uma retrospectiva dos eventos.

A Rússia entrou no século XX dilacerada por problemas que se vinham agudizando. Dava para sentir o perigo revolucionário no ar — e não levou muito tempo para que este se concretizasse.
Foi uma cadeia sólida de causas e condições prévias — não apenas ideias e lemas — que levou ao colapso de czarismo na Rússia e à futura instalação do regime comunista, mudando o registro civilizacional do país e de todo o globo de uma vez por todas.
Início de século turbulento
Algumas das causas mais flagrantes dos distúrbios que abalaram o país nas primeiras décadas do século XX foram más safras, o aumento exponencial da dívida orçamental, fracassos no plano militar e a ausência de qualquer tipo de direitos civis.
Tudo isso fez com que as massas populares se revoltassem contra o regime imperial e reivindicassem aquilo que eles consideravam ser algo que inerentemente lhes pertencia. Em primeiro lugar, foram os trabalhadores rurais que ficaram na "armadilha" de prolongadas contribuições sem um verdadeiro direito à terra na consequência da polêmica reforma que aboliu a servidão em 1861. Segundo, foram os recém-emergidos trabalhadores urbanos que se manifestaram com os principais lemas da época: "Nos deem pão!", "Abaixo a guerra!", "Fora com o absolutismo!".
A situação estava agravada pelo fato das autoridades imperiais terem envolvido o país em duas guerras desastrosas que acabaram por corroer a economia russa por dentro: ou seja, a derrota "vergonhosa" na confrontação com o Japão em 1904-1905 e a arrastada Primeira Guerra Mundial que drenou todo o sangue do regime czarista agonizante.
O fator mais importante foi também a discordância que se tinha gerado a nível do Estado, sendo que em fevereiro de 1917 a Duma de Estado, já formada completamente pela oposição ao czarismo, se reunia apenas algumas vezes por ano, e o governo estava mergulhado em um incessante carrossel ministerial.
Além das razões puramente econômicas e materiais, o czarismo estava comprometido e privado da confiança por parte do povo devido aos acontecimentos em torno da figura mística de Grigory Rasputin, que oficialmente ajudava o príncipe Aleksei a sobreviver à hemofilia, porém, ele alegadamente teria exercido grande influência sobre as decisões da família real. Rasputin, de origem rural, era considerado como "profeta" e "ancião", e até hoje há muitas especulações quanto à sua participação nos acontecimentos de 1917.
Revolução russa de 1905: um futuro que não se deu
Seria justo dizer que, em grande sentido, a Revolução de Fevereiro foi impulsionada pela desilusão com a revolução anterior de 1905, que não chegou a trazer quaisquer frutos. Mesmo que tivessem sido declarados, as liberdades e princípios democráticos fracassaram na sua aplicação, o que ainda agravou mais a atmosfera de desilusão na sociedade.
Porém, vale ressaltar que, se a Revolução de 1905 era pautada por forças e motivos pouco definidos, tendo sido despoletada pelo chamado Domingo Sangrento (22 de janeiro de 1905), que consistiu de uma manifestação pacífica, encabeçada pelo padre ortodoxo Georgy Gapon, esmagada violentamente pela guarda czarista, a sua "sucessora" de fevereiro de 1917 já tinha uma base ideológica mais sólida.
Deste modo, o movimento revolucionário caótico de 1905 resultou na obtenção ilusória de um leque de liberdades e na planejada transição da monarquia ao parlamentarismo, proclamadas pelo famoso Manifesto de Outubro, mas uma parte esmagadora destes resultados não passou de nada além de simples declarações.
Os grupos opositores ao czarismo ganharam poderes legislativos. Porém, eles não conseguiram obter consenso entre eles mesmos. A Duma de Estado virou um palco de briga entre os grupos que, em princípio, queriam o mesmo, mas divergiam nos métodos e nas ideias.
A fermentação no maior órgão legislativo do país fez com que os principais problemas do país, que tinham servido de ímpeto ao movimento de 1905, não fossem resolvidos. Primeiramente, se tratava da chamada "questão agrária". Pior ainda, a Rússia estava atolada em uma dispendiosa e infrutífera campanha militar — a Primeira Guerra Mundial.
Dias ousados da revolta popular
Nos dias de janeiro e, especialmente, de fevereiro de 1917, cada vez mais fábricas se viam paralisadas por greves, sendo o caso mais conhecido relacionado com a fábrica Putilov em Petrogrado (nome de então de São Petersburgo). Os motins públicos se realizavam sob os lemas "Abaixo a guerra!" e "Viva a República!".
Outra uma parte integrante dos acontecimentos de fevereiro foram as "rebeliões do pão", provocadas por um programa de distribuição de produtos agrícolas ineficiente, introduzido um ano antes. Todos estes distúrbios foram apenas um prólogo para a Revolução, que começou em 23 de fevereiro (8 de março atual, devido à mudança de calendário), com greves maciças contra czarismo, fome e escassez de direitos civis.
A atmosfera se vinha agudizando, o tzar Nicolau II, de acordo com alguns relatos, ficou em pânico, a Duma de Estado acabou sendo dissolvida. As ruas viviam um caos armado. Neste contexto, o destino do Império dependia totalmente da lealdade do exército ao regime.
Porém, a maior parte dos militares não justificou as esperanças da monarquia. Começou uma rebelião militar. Em 27 de fevereiro (atual 12 de março), os soldados de Petrogrado cercaram o Palácio Tauride onde estava sediada a Duma, supostamente já dissolvida. Em vez dela, foi formada uma nova entidade — o Comitê Provisório da Duma de Estado, que logo assumiu funções.
Uma das figuras-chave nos acontecimentos de fevereiro foi o socialista revolucionário Aleksandr Kerensky, que não só ascendeu ao poder na época, mas saudou a revolução lhe dando grande inspiração e apoio. Nos dias turbulentos da agonia dos antigos órgãos legislativos, Kerensky apelava aos deputados para que não cedessem ao tsar, chefiou o processo da substituição da guarda do Palácio pelos militares rebeldes e, finalmente, integrou a nova entidade legislativa.
De modo inesperado para as autoridades, o ardor revolucionário se via alastrando a Moscou e, provavelmente, bem poderia ter prosseguido para outras grandes cidades russas se nada tivesse sido feito. O caos revolucionário na Rússia resultou na chamada dualidade de poderes, ou seja, na governança exercida de fato por uma força (Soviete de Petrogrado), mas de jure atribuída a outra (Governo Provisório).
Em 2 de março, o tzar Nicolau II abdicou do trono, passando-o para seu irmão, Mikhail Aleksandrovich, que, por sua vez, o recusou. O czarismo caiu, a família real foi detida, privada de todos os direitos e todos os seus bens.
Herança de Fevereiro ou primeiro 'ato' da Grande Revolução Russa
O projeto de Estado que surgiu em resultado das manifestações de Fevereiro foi um dos mais democráticos, se não o mais democrático, da época. Poucos países podiam se gabar de ter um leque tão vasto de liberdades proclamadas, inclusive as das mulheres.
Mas isso acabou por não sair para além da moldura do projeto. No final, todas as principais reclamações de Fevereiro continuavam insatisfeitas — a guerra continuou, a crise econômica não dava fôlego ao país, a questão do campo permaneceu em impasse e, finalmente, a crise governamental sacudiu de novo a Rússia.
O fenômeno emergido dos movimentos de fevereiro, a dualidade de poderes, era uma espécie de bomba-relógio. Por um lado, o Soviete de Petrogrado como órgão do povo, e por outro — a força da burguesia, mais treinada para as atividades públicas, mas muito menos apoiada pelos recém-manifestantes.
Deste modo, o país ficou paralisado pela "ditadura da burguesia", ou seja, pelo Governo Provisório que não era capaz de promover as reformas necessárias e cumprir as promessas dadas. Os problemas econômicos e políticos se vinham agudizando, os setores agrário e industrial estavam na miséria e a questão das terras não se resolvia. Muitos, aliás, acreditam que a Revolução de Fevereiro foi uma parte da subsequente Guerra Civil Russa.
Tudo isso serviu como pretexto para o último "ato" deste grande movimento revolucionário — transformação de uma revolução democrática e burguesa em uma socialista, que ocorreu já no mês de outubro de 1917.



Os soldados que tomaram parte da Revolução de Fevereiro de 1917 em Petrogrado (foto de arquivo)

"A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil", diz Ângelo Segrillo, especialista em História da Rússia da USP – Universidade de São Paulo.

Comemoração do aniversário da Revolução de Fevereiro de 1917
27 de fevereiro de 1917, uma hora da tarde em Petrogrado, ou São Petersburgo, então capital do Império Russo chefiado pelo Czar Nicolau II. Insatisfeitos com a falta de trabalho, alimentos e dinheiro, militares e operários invadem o Palácio Tauride e pedem a deposição do czar, o fim do absolutismo monárquico na Rússia e a proclamação da República, que deveria seguir uma linha esquerdista, contemplando iguais oportunidades para todos. Os manifestantes são recebidos então pelo Deputado Alexander Kerensky, que mais tarde viria a exercer funções de comando ao assumir o Ministério da Defesa.
Acuado, Nicolau II tenta fugir e renuncia em favor do irmão, Mikhail Alexandrovich Romanov, mas este declina do cargo, alegando não se sentir em condições de chefiar o Império Russo. É a oportunidade que Kerensky percebe para, aliado aos insurgentes, derrubar a monarquia e entregar o cargo de primeiro-ministro (provisório) ao Príncipe Georgy Lvov. 
Estava deflagrada a primeira fase da Revolução de 1917 na Rússia, movimento que só iria se consolidar em outubro/novembro daquele ano, em sua segunda fase, liderada por Vladimir Lenin.
No centenário da Revolução de Fevereiro de 1917, entre seus vários aspectos, discute-se a influência que a Revolução Comunista teve em todo o mundo, em particular no Brasil. Especialista em Rússia e conhecedor dos temas históricos brasileiros, o Professor Ângelo Segrillo, da USP (Universidade de São Paulo), opina: "A Revolução Russa teve influência direta no Brasil."
"No Brasil houve a greve geral de 1917", lembra Segrillo. "Foi a primeira grande greve geral organizada, mais pelos anarquistas. Inicialmente, aqui no Brasil, eram os anarquistas que tinham mais força no meio operário, e em 1917 foi concomitante à Revolução Russa. Não foi a Revolução Russa que causou essa greve geral no Brasil, mas os impactos das notícias da Revolução Russa deram uma grande força para esse movimento de 1917. Em 1918 ainda houve outros movimentos que vieram da greve de 1917."
O especialista da USP acrescenta que "já em 1917, as notícias da Revolução na Rússia, tanto de fevereiro quanto de outubro, tiveram impacto concomitante, não que uma causasse a outra – todas elas estavam no bojo do mesmo movimento trazido pela desorganização da Primeira Guerra Mundial, que deu grande força para esses movimentos".
O comentário do Professor Ângelo Segrillo avança na História da Rússia e em sua influência no Brasil:
"Depois, com os bolcheviques já no poder, a influência foi bastante forte, já na década de 1920. Logo após, tivemos a formação do Partido Comunista Brasileiro, no início da década de 1920, sob influência direta da União Soviética. E continua por aí a influência no movimento brasileiro. A Revolução Russa, assim como em outros países, teve influência direta no Brasil."
Além da fundação do Partido Comunista Brasileiro, a Revolução Comunista da Rússia produziu no Brasil outras importantes influências: 
"Acho que principalmente nos meios sindical e político. Em sentido mais amplo do que o meramente partidário, há essa influência ideológica. O célebre historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu um livro cujo subtítulo é 'O Breve Século 20', porque ele considera que o século 20, na verdade, começou com a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa e terminou com a desagregação da União Soviética."
Assim, segundo o historiador britânico, nas palavras do Professor Ângelo Segrillo, "a experiência soviética balizou o século 20 porque foi o contraponto ao capitalismo. Esse embate entre o capitalismo e o socialismo soviético praticamente balizou a História do século 20, segundo Hobsbawm. E aqui no Brasil também isso foi fundamental, não apenas na política, também na cultura. Há toda uma série de escritores, artistas. Essa foi uma influência muito grande. No mundo como um todo, como Hobsbawm colocou, a experiência soviética, o socialismo em geral balizou a existência do Brasil e do mundo ao longo do século 20".


Torcedores madrugam para receber o Bota; Jair diz: "Agora bicho vai pegar"

Cerca de 30 alvinegros chegam antes das 6h no Galeão e fazem festa de recepção à equipe após classificação. Camilo, Pimpão e cia. citam benefícios da Pré-Libertadores.


Desembarque Botafogo torcida (Foto: Thiago Lima)
O Botafogo fez muitos de seus torcedores dormirem mais tarde após os 90 minutos de jogo contra o Olimpia mais a disputa por pênaltis. Outros preferiram trocar a cama pelo aeroporto: cerca de 30 alvinegros madrugaram e chegaram antes de 6h no Galeão para recepcionar o time após a heroica classificação no Paraguai para a fase de grupos da Libertadores. Animados, eles fizeram barulho no saguão de desembarque, ensaiaram a "dancinha do Jair", cantaram a "bicicleta do Pimpão", debocharam do rival Flamengo e tietaram cada jogador que passava com fotos e autógrafos. O mais assediado foi Gatito Fernández, que defendeu três cobranças na vitória por 3 a 1 na disputa de pênaltis.
A imprensa também compareceu em peso, e vários atletas pararam para dar entrevistas numa improvisada zona mista de estádio no saguão do aeroporto. Além de Gatito, Camilo, Pimpão, Helton Leite, Bruno Silva, Victor Luis, Emerson Silva e Jair Ventura atenderam aos jornalistas. Entre comemorações e cansaço, todos exaltaram a força do grupo e, após as pedreiras na Pré-Libertadores, veem o time mais fortalecido para entrar no Grupo 1, que tem o atual campeão, Atlético Nacional, da Colômbia, o Estudiantes, da Argentina, e o Barcelona de Guayaquil, do Equador.
Confira o que eles disseram:
Jair Ventura
Descansar um pouquinho que agora que o bicho vai pegar. A gente ficou apreensivo quando pegou o Colo-Colo e o Olimpia pela frente, mas foi uma boa prova de fogo. Agora tem mais grandes equipes pela frente, mas vamos lá, vamos fortes.
Bruno Silva 
Primeira meta nossa conseguimos, mas não queremos parar aqui. Vimos que temos condições de ir além, nossa equipe pode surpreender muito na competição. Pegamos dois adversários de muita tradição e mostramos que nossa equipe está forte. Esses dois jogos serviram para fortalecer a gente e para ver que a Libertadores é uma competição realmente diferente.
Rodrigo Pimpão Desembarque Botafogo (Foto: Thiago Lima/GloboEsporte.com)Rodrigo Pimpão destaca fase do Botafogo na Libertadores (Foto: Thiago Lima/GloboEsporte.com)

Rodrigo Pimpão
A gente já quebra o gelo do início do campeonato. Tem clubes que vão começar a Libertadores agora, entrar na fase de grupos. A gente já quebrou esse gelo e espera se preparar bem para fazer grandes jogos.
Camilo
Time vem vencendo na competição desde cedo, isso é legal. Já tiramos aquele peso do início de Pré-Libertadores. Então a gente está forte.
Emerson Silva
Nós pegamos Colo-Colo e Olimpia, dois grandes times. Acredito que fez com que a gente amadurecesse para o resto do campeonato.
Com o sorriso no rosto de quem esperava a realização de um sonho há anos, 62 famílias dos municípios de Mirinzal e Presidente Juscelino receberam, das mãos do governador Flávio Dino, títulos de terra coletivos quilombolas, em solenidade realizada no Palácio dos Leões, na tarde desta quarta-feira (22). Foram beneficiados agricultores da Associação Comunitária Quilombola da Santa Tereza, em Mirinzal, e da Associação dos Moradores Rurais Quilombolas do Povoado de Mirinzal da Julita, em Presidente Juscelino.
A entrega de títulos de terra é política permanente do Governo do Estado, por meio do Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma), e objetiva reconhecer a propriedade plena da terra, pelos agricultores que a ocupam, buscando promover a dignidade e o fortalecimento da agricultura. Esta rodada de entrega de títulos beneficiou 62 famílias, sendo 37 famílias no município de Mirinzal e 25 em Presidente Juscelino, com a entrega de mais de 592 hectares de terra.
De acordo com o governador Flávio Dino, o título de terra significa segurança jurídica, ganho econômico – porque as terras passam naturalmente a valer mais na medida em que estão regularizadas –, além de oportunidade de acesso a crédito nos bancos de fomento, pois o documento é uma garantia
“Todos esses ganhos vão à direção principal que é a valorização da produção, porque os indicadores sociais do nosso estado só vão continuar a melhoria que nós estamos alcançando, na medida que a nossa economia cresça, e o caminho mais rápido, efetivo para a economia do Maranhão crescer não há dúvida que é por intermédio da produção”, enfatizou o governador, reiterando que os maranhenses precisam dessas políticas públicas para que os produtores possam crescer e se desenvolver ainda mais.
Para o secretário de Agricultura Familiar, Adelmo Soares, o Governo do Estado está tratando como prioridade o programa de regularização fundiária, e, em dois meses deste ano, já entregou outros 677 títulos de terra. “Vamos continuar com esse trabalho nas Agritecs, como na próxima em Açailândia. Porque mostra o compromisso e a linha de trabalho de um órgão que era esquecido no Estado. E esse compromisso é forte, pois leva dignidade às famílias”, pontuou.
A presidente da Associação Comunitária Quilombola da Santa Tereza de Mirinzal, Ana Lourdes, disse que a entrega desses títulos é um sonho que se tornou realidade. “Agora vamos requerer outros benefícios para nossa comunidade”, comemorou a agricultora.
“Esse título muda a comunidade. Dá mais segurança, mais respeito. Agradeço a Deus e ao governador”, disse Raimundo Diniz, presidente da Associação dos Moradores Rurais Quilombolas do Povoado de Mirinzal da Julita, em Presidente Juscelino.




Representantes da Federação Maranhense de Futebol (FMF) receberam do secretário municipal de Desportos e Lazer (Semdel), Júlio França, na manhã desta segunda-feira (20), os laudos que garantem a reabertura do estádio. A entrega ocorreu na sede da FMF, no Palácio dos Esportes. Ainda durante a manhã, o secretário recebeu no estádio Nhozinho Santos, uma comitiva do Moto Club, que pôde conhecer de perto as instalações.
O estádio recebeu uma série de melhorias em requalificação promovidas pela Prefeitura de São Luís. "A reabertura do Nhozinho Santos é importante para os agentes esportivos e o público que quer a volta do futebol maranhense ao espaço. É também uma ação incentivada pelo prefeito Edivaldo que entende que a abertura do estádio vai além do futebol, pois impulsiona a geração de renda no entorno, já que a cada evento, o comércio local se aquece. É, sem dúvidas, um momento muito significativo para o futebol e para o esporte local", enfatizou o titular da Semdel, Júlio França.
Foram entregues ao presidente da Federação, Antônio Américo Lobato Gonçalves, os laudos originais, emitidos pela Vigilância Sanitária, Polícia Militar, Corpo de Bombeiro e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (Crea-MA). Os documentos atestam as condições favoráveis do estádio para jogos. "Para nós, é uma alegria a aprovação da entidade de referência em esporte no nosso Estado. Recebemos a avaliação positiva da Federação e agora, aguardamos que definam a agenda de eventos", diz França.
O presidente da Federação parabenizou os esforços da gestão municipal para reabrir a arena. "Verificamos os laudos e diante do que nos foi colocado pelo secretário, entendemos que o estádio tem as prerrogativas para ser integrado à agenda esportiva", disse.
O gestor informou que está em planejamento o cronograma de jogos que será comunicado aos times e definidos quais eventos serão promovidos no Nhozinho. "Para nós é uma satisfação poder voltar a este espaço que é um ícone do esporte do Maranhão", ressaltou. A instituição prevê para março a realização dos primeiros jogos no local.Prefeitura entrega à FMF os laudos que garantem reabertura do estádio Nhozinho Santos
VISITA
No fim da manhã, o secretário Júlio França recebeu integrantes da diretoria e jogadores do Moto Club em visita ao estádio para avaliação da estrutura depois das obras de requalificação.
Para o diretor de futebol do clube, Waldemir Rosa, o Dadá, o time tem todo o interesse em jogar no local, considerado histórico para o esporte maranhense. "Estamos ansiosos para que o estádio seja reaberto e possamos trazer de volta os bons tempos com muitos jogos. Este estádio é histórico e muito importante para a capital e para o Estado", enfatizou.
REQUALIFICAÇÃO
Na última semana, a Semdel apresentou os laudos exigidos para a liberação do estádio à Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, que atestou as melhorias realizadas pelo município. Entre os serviços realizados pela Prefeitura que habilitaram o estádio a receber jogos estão a manutenção do gramado, um dos itens mais importantes para o funcionamento de um estádio de futebol.
Toda a parte física do estádio foi melhorada. Foi feito o reboco das paredes que estavam rachadas, recuperação de portas e da parte sanitária nos oitos banheiros, revisão da parte hidráulica e elétrica inclusive com troca de itens como lâmpadas e refletores. Reforços metálicos na estrutura de alvenaria, pintura das arquibancadas, reforma no sistema de irrigação são outras melhorias promovidas.
O estádio recebeu ainda pintura externa e interna; teve instalada nova iluminação para a área coberta e melhorias na segurança do público, com a construção de novas saídas de emergência; ganhou placar eletrônico mais moderno; recebeu limpeza e higienização de toda a área interna - incluindo lanchonetes, banheiros e vestiários; e teve renovados os sistemas elétrico e hidráulico, bem como os portões de entrada e saída. Com os serviços, pessoas com deficiência ou locomoção reduzida também têm acesso ao local.